Bingo

Atividade dinâmica em que os participantes conhecem as letras, números, acentos e ainda leem os textos das cartelas como prêmio final

Contação de Histórias

Momento em que todos aprendem a ouvir, refletir e interpretar

Produção de HQ

Confecção de Histórias em Quadrinho

Cineclube Riacho do Navio

Sessão de filmes exibidos ao ar livre no anfitetro localizado no município de Piranhas em Algoas

Sussurrador de Textos

Ferramenta ultilizada para leitura e compreenção de textos

Palavrices

Atividade realizada com macarrão de letrinhas para o estímulo da leitura, escrita e ortografia do sujeito

Pescaria

Atividade desenvolvida com frases estratégicas e de trava-língua para o desenvolvimento da leitura

sábado, 4 de novembro de 2017

ENTREQUADROS: A OFICINA DE PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS PARA ESTIMULAR O HÁBITO DA LEITURA



ENTREQUADROS: A OFICINA DE PRODUÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS PARA ESTIMULAR O HÁBITO DA LEITURA[1]
Autor: Yan Philipe Barbosa de Oliveira/artista visual

RESUMO
O surgimento das histórias em quadrinhos (HQs) no Brasil, na primeira metade do século XX, não foi bem aceito por setores ligados à educação. A despeito das críticas e dos preconceitos que lhes foram imputados durante significativa parte do século passado, nas últimas décadas, as HQs, consideradas como arte sequencial, têm sido reconhecidas como um recurso facilitador no processo de ensino aprendizagem. A compreensão do potencial educativo latente nas páginas de uma história em quadrinhos (HQ) possibilitou a adaptação de várias obras literárias ao formato de HQ e tornou a leitura de textos longos, que poderia se tornar enfadonha, mais agradável e fácil. Além disso, praticamente todos os conteúdos científicos podem ser transpostos como histórias em quadrinhos, contribuindo para o seu melhor entendimento e popularização. No entanto, ao ministrar aulas com a utilização das HQs, educadores devem selecioná-las e compreendê-las. Diante disso, abordamos nossa participação no projeto de extensão ‘Lá Li Gibi’, que, em 2015 e 2016, propunha estimular a leitura, a partir das histórias em quadrinhos, compostas por textos curtos e imagens sequenciadas. No referido projeto, entendemos as histórias em quadrinhos como excepcionais portas que se abrem para construir o gosto pela leitura. Nas ações do projeto deixávamos sempre à disposição do público participante aproximadamente 400 HQs com temáticas, editoras e personagens variados, além de uma centena de obras de literatura infantil e infanto-juvenil. Tal acervo além de ser um convite à leitura, também servia de inspiração para crianças e jovens desenharem nas oficinas de produção de histórias em quadrinhos, que tinham um caráter recreativo e constituía um convite direto ao desenhar e pintar o que preferissem. Inferimos acerca do caráter interdisciplinar embutido nas histórias em quadrinhos, sua importância para processos educativos formais e não formais e, como consequência, a importância do artista visual no processo de formação de leitores.






[1] Trabalho apresentado na sessão de comunicação oral durante o Simpósio Letramentos Para a Cidadania – LECID, realizado de 30 de outubro a 1 de novembro de 2017, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O PROBLEMA DE SABER PROBLEMATIZAR O PROBLEMA



O PROBLEMA DE SABER PROBLEMATIZAR O PROBLEMA
Autora: Judy Rosas

Ao longo da nossa experiência de vida e profissional passam sob os nossos olhos uma enorme quantidade de situações, que não podem ser entendidas imediatamente, pois aparecem de modo tão confuso que chegam a nos surpreender.
Em algum momento da nossa vida de educadoras e educadores (em muitos momentos!) nos deparamos com acontecimentos que nos ‘obrigam’ a perguntar sobre eles. O que é isto? Por que acontece? Em que condições são produzidos? Como solucionar?
Tais perguntas resultam do nosso despertar para o conteúdo dramático (o problema) das relações que produzimos e ao mesmo tempo nos produzem, bem como dos seus resultados; afinal, não somos apenas produtos do meio, somos também produtores do meio que nos produz.
Ou seja, fazemos uma pergunta sobre algo que não conhecemos e sentimos a necessidade de conhecer. Esta pergunta guiará a nossa reflexão.
Dizemos isto porque para conhecer não pensamos de qualquer forma, espontaneamente. A reflexão é um pensamento profundo, que busca entendimento nas teorias disponíveis sobre o assunto. Também, devemos ter o cuidado de não isolar o problema, pois, se ele existe, existe como uma relação num contexto amplo e complexo. Por fim, devemos tomar cuidado para não nos perdermos na nossa investigação, assumindo teorias que se excluem e buscando respostas que passam longe do nosso interesse.
       Conhecer é, portanto, o resultado da reflexão que: I- inicia com o espanto proporcionado
pela percepção da existência do problema; II- continua, sistematicamente, recorrendo às teorias disponíveis para compreendê-lo; III- necessariamente, volta ao objeto (ao problema) que não mais será caótico e incompreensível.
       Diante destas breves palavras uma questão desponta como fundante: conhecer implica numa
tomada de atitude. O conhecimento, por humano, não conhece a neutralidade. Portanto, se subjetivamente nos conscientizamos sobre a existência do problema, ao compreendê-lo, objetivamente devemos solucioná-lo.

Este texto utiliza, basicamente, as seguintes fontes bibliográficas:
- MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1983. p.218-226.
- SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 11.ed. Campinas: Autores Associados, 1993. p. 19-38.

A PESSOA ALFABETIZADA E NÃO LEITORA É ANALFABETIZADA



A PESSOA ALFABETIZADA E NÃO LEITORA É ANALFABETIZADA[1]
Autora: Judy Rosas

Apesar dos estudos realizados pelos que fazem, pensam, organizam, financiam e gerem a educação (pelo menos é de se esperar que tais sujeitos tenham, ao menos, construído competência técnica para enfrentar os dilemas com os quais nos defrontamos), um persistente problema educacional tem provocado certa ‘comoção’ e espanto, como atestam os noticiários ao informar dados alarmantes acerca da insuficiente proficiência em leitura e escrita das crianças matriculadas no 3º ano do ensino fundamental das escolas públicas brasileiras.
Como se tentando entender, são realizadas entrevistas com estudiosos e gestores da educação, são mostrados, festivamente, projetos de leitura, crianças aparecem em depoimentos falando que ler é bom.
O problema é que quando se pensam sobre alternativas que de fato promovam a alfabetização e a formação de pessoas leitoras, esquece-se de abordar tal questão como resultado de múltiplos condicionantes práticos.
A problematização do problema da leitura deve partir da tentativa de responder questões relacionadas ao interior da escola, mas também há que considerar o contexto no qual ela se insere.
Além disso não devemos esquecer que a leitura não é uma finalidade em si. Ela é, por excelência, elemento mediador e necessário à compreensão do sujeito e do mundo (que o faz e que por ele é produzido). No entanto, esta função torna-se frágil se não lhe for incluído que ler  também deve ser propiciador de deleite.
Um dos curiosos resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), realizada em 2016, é certamente a discrepância existente entre os resultados das insuficientes proficiências em leitura  e escrita.
De acordo com a média nacional em leitura, 54,7% das crianças demonstraram insuficiência. Em escrita estas representam 34%.
O que, então, é escrever e não ler?
Onde tem origem este anômalo descompasso?
Professoras e professores têm ensinado a ler letras em detrimento da compreensão do texto que estas, juntas, formam?
Parece que existe na alfabetização uma ênfase no reconhecimento das letras, que não é acompanhada da apropriação da sua “alma”: o texto, carregado de sentidos e significados.
Daí que podemos concluir que o ‘treino’ da letra não conduz à leitura.
Outras perguntas saltam diante de nós, à procura de entendimento.
Por que a instituição alfabetizadora – a escola – não é formadora de leitores?
Por que a prática da leitura representa um ritual do dia letivo que longe está de representar uma parte interessante da aula?
Por que o livro didático dos anos alfabetizadores têm textos tão longos?
Por que não tornar a leitura uma atividade que além de necessária pode (e deve) ser prazerosa?
Por que, da brincadeira e da atividade física, a leitura emerge como estranha ou imediatamente desarticulada?
E as artes como a pintura e o desenho, o cinema, o teatro, as histórias em quadrinhos, por que não se resgatam as suas afinidades com a leitura? Afinal, leitura não é literatura.
Por que a insistência de escolher temas e ‘interesses’ para os e pelos chamados sujeitos da educação, retirando o seu protagonismo?
Por que quem não aprende a ler, majoritariamente, é pobre?
Há algo muito estranho ainda: por que as pessoas aprendem a ler e não aprendem a gostar de ler?
Para além da alfabetização, que deveria inserir a criança no universo da leitura, existe a necessidade de formar a pessoa leitora.
A formação da pessoa leitora exige um conjunto de ações, em todos os recantos da escola e da comunidade, que tenham a regularidade como diretriz. Para que isto aconteça, é fundamental compreender que ações e eventos esporádicos sempre serão insuficientes e, caso tais procedimentos e as concepções que lhes servem de fundamento não passem por profunda revisão, o desastre da insipiência da leitura, por dentro da escola, será reproduzido.





SITUAÇÃO DA LEITURA NO BRASIL... ou a questão da insipiência da leitura no Brasil.


QUADRO 1 – ELEITORADO BRASILEIRO POR GRAU DE INSTRUÇÃO/2016


ANALFABETO

ENS. FUND.      INCOMPLETO

LÊ E ESCREVE

TOTAL
BRASIL
6.950.388 (4,7%)
41.371.819 (28,2%)
15.470.653 (10,5%)

43,4%
NORDESTE
3.402.479 (8,6%)
10.896.169 (27,7%)
6.933.420 (17,6%)

53,9%
JOÃO PESSOA
9.254 (1,9%)
90.293 (18,4%)
23.960 (4,9%)
25,2%
RECIFE
17.062 (1,5%)
218.317 (19,5%)
42.142 (3,7%)
24,7%
PIRANHAS
1.935 (11,2%)
5.402 (31,4%)
4.029 (23,4%)
67%
Fonte: TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Estatística do eleitorado por sexo e grau de instrução. Brasília, 2016. Disponível em: .




QUADRO 2 – DIFICULDADES QUE TEM AO LER (%)
Dificuldades
2007
2011
2015
Lê muito devagar
16
19
20
Não tem paciência para ler
11
20
24
Tem problema de visão ou outras limitações físicas
8
13
17
Não tem concentração suficiente para ler
7
12
11
Não compreende a maior parte do que lê
7
8
8
Não sabe ler
15
9
10
Não tem dificuldade alguma
48
43
33
Fonte: Fundação Pró-Livro. 4ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 2016, p.231.
      
     QUADRO 3 – GOSTO PELA LEITURA/ GOSTA DE LER? (%)


2007
2011
2015
Gosta muito
28
25
30
Gosta um pouco
39
37
43
Não gosta
23
30
23
Fonte: Fundação Pró-Livro. 4ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 2016, p.202.




- CRIANÇAS DE 6 A 14 ANOS NA ESCOLA 98,2% (2012)


- A REGIÃO NORDESTE, SOZINHA, RESPONDE PELA EXISTÊNCIA DE 52% DO TOTAL DAS PESSOAS ANALFABETAS ABSOLUTAS, COM 15 ANOS E MAIS (IBGE, CENSO 2010).



[1] Texto base para a discussão sobre a situação da leitura no Brasil (o caos apresentado pela ANA 2016).