quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O PROBLEMA DE SABER PROBLEMATIZAR O PROBLEMA



O PROBLEMA DE SABER PROBLEMATIZAR O PROBLEMA
Autora: Judy Rosas

Ao longo da nossa experiência de vida e profissional passam sob os nossos olhos uma enorme quantidade de situações, que não podem ser entendidas imediatamente, pois aparecem de modo tão confuso que chegam a nos surpreender.
Em algum momento da nossa vida de educadoras e educadores (em muitos momentos!) nos deparamos com acontecimentos que nos ‘obrigam’ a perguntar sobre eles. O que é isto? Por que acontece? Em que condições são produzidos? Como solucionar?
Tais perguntas resultam do nosso despertar para o conteúdo dramático (o problema) das relações que produzimos e ao mesmo tempo nos produzem, bem como dos seus resultados; afinal, não somos apenas produtos do meio, somos também produtores do meio que nos produz.
Ou seja, fazemos uma pergunta sobre algo que não conhecemos e sentimos a necessidade de conhecer. Esta pergunta guiará a nossa reflexão.
Dizemos isto porque para conhecer não pensamos de qualquer forma, espontaneamente. A reflexão é um pensamento profundo, que busca entendimento nas teorias disponíveis sobre o assunto. Também, devemos ter o cuidado de não isolar o problema, pois, se ele existe, existe como uma relação num contexto amplo e complexo. Por fim, devemos tomar cuidado para não nos perdermos na nossa investigação, assumindo teorias que se excluem e buscando respostas que passam longe do nosso interesse.
       Conhecer é, portanto, o resultado da reflexão que: I- inicia com o espanto proporcionado
pela percepção da existência do problema; II- continua, sistematicamente, recorrendo às teorias disponíveis para compreendê-lo; III- necessariamente, volta ao objeto (ao problema) que não mais será caótico e incompreensível.
       Diante destas breves palavras uma questão desponta como fundante: conhecer implica numa
tomada de atitude. O conhecimento, por humano, não conhece a neutralidade. Portanto, se subjetivamente nos conscientizamos sobre a existência do problema, ao compreendê-lo, objetivamente devemos solucioná-lo.

Este texto utiliza, basicamente, as seguintes fontes bibliográficas:
- MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1983. p.218-226.
- SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 11.ed. Campinas: Autores Associados, 1993. p. 19-38.

0 comentários:

Postar um comentário