O
PROBLEMA DE SABER PROBLEMATIZAR O PROBLEMA
Autora: Judy Rosas
Ao longo
da nossa experiência de vida e profissional passam sob os nossos olhos uma
enorme quantidade de situações, que não podem ser entendidas imediatamente,
pois aparecem de modo tão confuso que chegam a nos surpreender.
Em algum
momento da nossa vida de educadoras e educadores (em muitos momentos!) nos
deparamos com acontecimentos que nos ‘obrigam’ a perguntar sobre eles. O que é
isto? Por que acontece? Em que condições são produzidos? Como solucionar?
Tais
perguntas resultam do nosso despertar para o conteúdo dramático (o problema)
das relações que produzimos e ao mesmo tempo nos produzem, bem como dos seus
resultados; afinal, não somos apenas produtos do meio, somos também produtores
do meio que nos produz.
Ou seja,
fazemos uma pergunta sobre algo que não conhecemos e sentimos a necessidade de
conhecer. Esta pergunta guiará a nossa reflexão.
Dizemos
isto porque para conhecer não pensamos de qualquer forma, espontaneamente. A
reflexão é um pensamento profundo, que busca entendimento nas teorias
disponíveis sobre o assunto. Também, devemos ter o cuidado de não isolar o
problema, pois, se ele existe, existe como uma relação num contexto amplo e
complexo. Por fim, devemos tomar cuidado para não nos perdermos na nossa
investigação, assumindo teorias que se excluem e buscando respostas que passam
longe do nosso interesse.
Conhecer é, portanto, o resultado da reflexão que: I- inicia
com o espanto proporcionado
pela
percepção da existência do problema; II- continua, sistematicamente, recorrendo
às teorias disponíveis para compreendê-lo; III- necessariamente, volta ao
objeto (ao problema) que não mais será caótico e incompreensível.
Diante destas breves palavras uma questão desponta como
fundante: conhecer implica numa
tomada
de atitude. O conhecimento, por humano, não conhece a neutralidade. Portanto,
se subjetivamente nos conscientizamos sobre a existência do problema, ao
compreendê-lo, objetivamente devemos solucioná-lo.
-
MARX, Karl. Contribuição à crítica da
economia política. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1983. p.218-226.
- SAVIANI,
Dermeval. Educação: do senso comum à
consciência filosófica. 11.ed. Campinas: Autores Associados, 1993. p. 19-38.



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