HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: um gênero textual de iniciação à leitura.
Autores[1]:
Antonio Barboza da Silva
Junior
Lucas Cassiel Santos Linhares.
As crescentes necessidades de
comunicação que atendam às múltiplas situações nas quais homens e mulheres se
envolvem desencadearam, a partir da década de 1980, uma mudança no rumo dos
estudos dos gêneros textuais, que exerceu também uma forte influência nas
concepções de leitura das mais diversas modalidades de textos.
Estas novas modalidades surgiram em
meio a necessidades únicas de comunicação em sociedade e a elas foram
associadas novas concepções, que defendiam a existência de parâmetros básicos
que definiriam uma nova noção de texto.
Argumentamos a favor das novas
concepções de texto associando uma parcela de seus postulados a um gênero
textual utilizado no projeto de extensão Lá Li Gibi, que é fruto de reflexões
sobre o real papel da biblioteca e visa amplificar as possibilidades de impacto
sobre o desenvolvimento do hábito de ler (ROSAS, 2014).
O gênero histórias em quadrinhos
(HQ) tem como característica principal a apresentação de estruturas formadas
por quadros organizados em ordem que objetivam retratar cenas em sequência. Nos
quadrinhos, as ilustrações colaboram para uma interpretação com maior grau de
exatidão e, aliadas aos textos, geralmente inscritos em balões, apontam para
diálogos entre personagens e até mesmo para narrativas históricas ou literárias.
A diferença notável do gênero HQ
para os demais é acentuada quando comparamos que nos textos tradicionais,
difundidos principalmente em livros, temos pouco ou nenhum auxílio vindo de
representações ilustrativas, enquanto que nos gibis (nome dado às histórias em
quadrinhos no Brasil) há elementos escritos que são auxiliados por uma miríade
de elementos pictórico-ilustrativos que auxiliam a compreensão do sentido da
narrativa.
Daí inferirmos ser a coesão um
principio textual presente nos escritos dentro dos balões que, conforme Val
(2000), geralmente são organizados obedecendo a normas básicas como emprego
adequado de artigos, flexão adequada de verbos em cada variação de tempo e
outras normas da língua, enquanto que a coerência, conforme Antunes (2009), é
construída através de elementos que estão fora do texto, que em si não constrói
sentido de forma autônoma, apenas através dos elementos coesivos.
No caso das HQs, admitimos que a
coerência se justifique fora do texto, estando ela na união entre a interpretação
do texto dos balões, na ‘leitura’ das imagens presentes nos quadrinhos e também
recebendo influências de experiências anteriores que o sujeito acumula em sua
memória.
Sobre as bibliotecas tradicionais,
observamos que estas têm insistido no trabalho com gêneros que acabam por
distanciar o público leitor e ignoram a autonomia de outros textos como as HQs,
tornando os ambientes, que antes foram pensados para a leitura, em meros
suportes de pesquisa.
Considerando os novos estudos da linguística
textual, a Biblioteca Popular Riacho do Navio, através do projeto Lá Li Gibi,
disponibiliza seu acervo do qual lança mão para o uso deste gênero, defendendo
que as HQs possuem elementos básicos que as englobam dentro dos gêneros
textuais e, portanto, não devem estar excluídas das bibliotecas.
Referências
ANTUNES,
Irandé. Língua, texto e ensino:
outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009.
ROSAS,
Judy Mauria Gueiros. Lá li gibi.
Projeto de extensão. PROBEX/UFPB. João Pessoa, 2014.
VAL,
Maria da Graça Costa. Repensando a textualidade. In: AZEREDO, José Carlos. Língua portuguesa em debate:
conhecimento e ensino. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
[1] Discentes
do curso de graduação em Letras/Português, da Universidade Federal da Paraíba; participantes
do projeto de extensão Lá Li Gibi.



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