segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: um gênero textual de iniciação à leitura.





HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: um gênero textual de iniciação à leitura.
                                                                       Autores[1]:
 Antonio Barboza da Silva Junior
 Lucas Cassiel Santos Linhares.




            As crescentes necessidades de comunicação que atendam às múltiplas situações nas quais homens e mulheres se envolvem desencadearam, a partir da década de 1980, uma mudança no rumo dos estudos dos gêneros textuais, que exerceu também uma forte influência nas concepções de leitura das mais diversas modalidades de textos.
            Estas novas modalidades surgiram em meio a necessidades únicas de comunicação em sociedade e a elas foram associadas novas concepções, que defendiam a existência de parâmetros básicos que definiriam uma nova noção de texto.
            Argumentamos a favor das novas concepções de texto associando uma parcela de seus postulados a um gênero textual utilizado no projeto de extensão Lá Li Gibi, que é fruto de reflexões sobre o real papel da biblioteca e visa amplificar as possibilidades de impacto sobre o desenvolvimento do hábito de ler (ROSAS, 2014).
            O gênero histórias em quadrinhos (HQ) tem como característica principal a apresentação de estruturas formadas por quadros organizados em ordem que objetivam retratar cenas em sequência. Nos quadrinhos, as ilustrações colaboram para uma interpretação com maior grau de exatidão e, aliadas aos textos, geralmente inscritos em balões, apontam para diálogos entre personagens e até mesmo para narrativas históricas ou literárias.
            A diferença notável do gênero HQ para os demais é acentuada quando comparamos que nos textos tradicionais, difundidos principalmente em livros, temos pouco ou nenhum auxílio vindo de representações ilustrativas, enquanto que nos gibis (nome dado às histórias em quadrinhos no Brasil) há elementos escritos que são auxiliados por uma miríade de elementos pictórico-ilustrativos que auxiliam a compreensão do sentido da narrativa.
            Daí inferirmos ser a coesão um principio textual presente nos escritos dentro dos balões que, conforme Val (2000), geralmente são organizados obedecendo a normas básicas como emprego adequado de artigos, flexão adequada de verbos em cada variação de tempo e outras normas da língua, enquanto que a coerência, conforme Antunes (2009), é construída através de elementos que estão fora do texto, que em si não constrói sentido de forma autônoma, apenas através dos elementos coesivos.
            No caso das HQs, admitimos que a coerência se justifique fora do texto, estando ela na união entre a interpretação do texto dos balões, na ‘leitura’ das imagens presentes nos quadrinhos e também recebendo influências de experiências anteriores que o sujeito acumula em sua memória.
            Sobre as bibliotecas tradicionais, observamos que estas têm insistido no trabalho com gêneros que acabam por distanciar o público leitor e ignoram a autonomia de outros textos como as HQs, tornando os ambientes, que antes foram pensados para a leitura, em meros suportes de pesquisa.
            Considerando os novos estudos da linguística textual, a Biblioteca Popular Riacho do Navio, através do projeto Lá Li Gibi, disponibiliza seu acervo do qual lança mão para o uso deste gênero, defendendo que as HQs possuem elementos básicos que as englobam dentro dos gêneros textuais e, portanto, não devem estar excluídas das bibliotecas.

Referências

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009.
ROSAS, Judy Mauria Gueiros. Lá li gibi. Projeto de extensão. PROBEX/UFPB. João Pessoa, 2014.
VAL, Maria da Graça Costa. Repensando a textualidade. In: AZEREDO, José Carlos. Língua portuguesa em debate: conhecimento e ensino. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.



[1] Discentes do curso de graduação em Letras/Português, da Universidade Federal da Paraíba; participantes do projeto de extensão Lá Li Gibi.

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